Francisco iniciou sua vida no crime aos 12 anos de idade. Começou com pequenos furtos e, depois, partiu também para assaltos à mão armada. Logo se envolveu com o tráfico de drogas, um dinheiro que chegava mais rápido. Foi nesse contexto que conheceu sua esposa. Ele queria droga, e ela tinha a droga para vender. Esse envolvimento com ela fez com que se afundasse ainda mais nas drogas. Eles brigavam muito; ele era violento, e, em algumas situações, chegou a agredi-la. Ela também o agredia. Era uma obsessão mútua, uma relação de amor e ódio.
À medida que crescia no crime, foi acumulando muitos inimigos, além de conflitos com gangues rivais. Em determinado momento, acabou matando uma pessoa e foi acusado. Foi preso e, dentro do presídio, todos o conheciam. Foi bem recebido, até conseguir uma cama separada para si. Francisco sentiu que estava “em casa”, pois, naquele ambiente, todos haviam cometido crimes, e ele se sentia parte da “nata do crime”, como se diz.
Quando foi transferido para a cadeia de Praia Grande, mais tarde foi levado para São Paulo, chegando no Carandiru em 1998. Lá, sentiu que estava em um lugar de destaque. Começou a traficar dentro da prisão e até fabricava bebidas alcoólicas. Curiosamente, havia uma Igreja Universal dentro do Carandiru, mas ele só conheceu o trabalho religioso quando sua esposa foi visitá-lo.
Durante a visita, ela foi evangelizada por uma senhora na porta do presídio. Francisco, sendo uma pessoa muito fechada, se recusou a conversar com ela. A mulher lhe deu um jornal e, ao se despedir, disse: “Leve o jornal, e quando chegar em casa, leia. Tenho certeza de que Jesus falará com você, porque Ele te ama.” Essas palavras provocaram raiva nele, pois pensava: “Se Jesus me amasse, não estaria nessa situação”. Ele estava em um momento muito difícil de sua vida, já sofrendo com a depressão.
Um dia, enquanto passeava no pátio da penitenciária, viu a igreja e decidiu assistir ao culto. Mesmo com seu status dentro da cadeia, onde era respeitado, ele se sentia infeliz, triste e revoltado. Era como se sua alma estivesse em guerra, sem paz. Nem conseguia dormir.
No ano de 2001, ainda estava no Carandiru, quando a ordem para uma grande rebelião foi dada. Durante a rebelião no pavilhão 8, o responsável pelo trabalho religioso, um pastor, entrou no local onde ele estava. Francisco ficou impressionado com a coragem daquele homem, que arriscou sua própria vida por pessoas como ele. Aquele gesto despertou algo em Francisco. Ele pensou: “Esse homem tem um espírito diferente”. E foi naquele momento que decidiu conhecer o Deus que ele pregava.
Foi então que Francisco fez um voto com Deus dentro do presídio: “Se o Senhor for comigo, quando eu sair deste lugar, não importa o tempo que leve, eu Te servirei.” Naquela noite, ele dormiu profundamente, algo que não acontecia há anos. Durante os quatro anos seguintes, não pensou mais em roubar ou tirar a vida de alguém.
Em 2005, quando saiu da prisão, o primeiro lugar que visitou foi a Igreja Universal do Reino de Deus. Pouco tempo depois, participou da Fogueira Santa. Começou a vender salgados, como coxinhas, que sua esposa fazia. Colocou todo o seu esforço e trabalho no altar. Mesmo sem nada, entregou tudo a Deus, fazendo um pedido sincero: “Nunca mais quero que minha vida seja marcada pelo crime”. Ele contou que, até então, sempre que andava na rua, a polícia o humilhava, jogando-o no chão. Essa situação o fazia sentir vergonha de si mesmo.
Francisco fez uma fogueira santa espiritual, pedindo o Espírito Santo. Quando desceu do altar, sentiu que foi selado com o Espírito Santo e experimentou uma paz inexplicável. Nesse momento, ele sentiu um grande desejo de se dedicar à obra de Deus. Disse à sua esposa: “Eu vou para o altar, Deus me chamou para isso”. Ela, surpresa, riu, dizendo: “Você está brincando! Tem quatro filhos, está mais velho…” Mas ele estava decidido.
Hoje, Francisco vive uma vida de paz, alegria e companheirismo com sua esposa e filhos. Todos estão na presença de Deus. Ele percebe que, antes, quando estava envolvido com o crime, era o homem mais infeliz e vazio do mundo. Mas, ao conhecer o altar de Deus e receber o Espírito Santo, ele foi transformado. “Antes, eu era conhecido no crime como Hugo. Agora, sou Francisco, um homem renovado, com um nome dado por Deus.”

